domingo, 28 de outubro de 2012

Conta-me como foi!



Aquela sensação que temos quando nos lembramos que os nossos avós viveram no mesmo período da 2ª Guerra Mundial, Guerra do Vietname, sem saber o que eram telemóveis, televisões e computadores, os nossos netos senti-la-ão também quando se aperceberem dos acontecimentos históricos (para eles, distantes e só presentes nos livros de história) que nós vivenciámos.

Ora, distanciemo-nos do presente e avancemos uns 50 anos…

Nós seremos uns avós que poderão dizer aos netos “já comprei pastilhas elásticas com 3 escudos…”. Os escudos, para eles, serão de um passado tão longínquo que nos imaginarão numa espécie de feira medieval a pedir uma dúzia de pastilhas enquanto tiramos as gigantes moedas banhadas a ouro de uma bolsa de cabedal.




Nós falar-lhes-emos da tão famosa crise que assolou a Europa na segunda década do século: "a crise de 2008-2015 foi bastante dura para algumas famílias! No telejornal não havia um dia em que não se dissesse a palavra crise, a expressão "subida de impostos" ou "mais uma greve em...". Os governos passavam a vida a aumentar impostos e a cortar em subsídios... O país nunca chegou às dificuldades que se viviam até ao tempo dos vossos trisavós, mas havia gente a viver muito mal! Havia, pelo menos, uma greve ou protesto todas as semanas! Noutros países da Europa passava-se o mesmo... Ouvíamos casos de pessoas que se suicidavam e deixavam bilhetes, onde escreviam que não aguentavam mais as más condições de vida.  Foi uma altura difícil para muitas pessoas!"

No que diz respeito à cultura, contaremos que pagávamos para ir ver um espetáculo que consistia no domínio de um cavaleiro vestido com roupas faustosas sobre um ser racionalmente inferior , dentro de uma arena, enfiando-lhe espetos no dorso. Provavelmente reagirão com a mesma estupefação que nós quando pensamos na selvajaria que eram as lutas entre gladiadores em Roma. Não, não estou a querer comparar a morte de um animal à de um ser humano, mas acho que tal como essa "arte"/tradição acabou por desaparecer, o mesmo acontecerá com as touradas, de um modo natural.

 Diremos frases como "e depois eu e o avô fomos ao cinema ver o Avatar em 3D. Fomos a um centro comercial, que era onde se encontrava a maioria das salas de cinema, comprámos o bilhete e deram-nos uns óculos que davam a sensação que a imagem saía cá para fora... Nada a ver com essas modernices dos hologramas, mas na altura já era muito bom!"


Mas aquilo que os deixará verdadeiramente boquiabertos...

... É quando lhes dissermos que o fim-de-semana eram apenas dois dias, que éramos obrigados a acordar às 7h todos os dias da semana e que precisávamos de trabalhar para ganhar dinheiro e poder viver. Eles pensarão "então a esperança média de vida era até aos 80 anos e passavam mais de metade da vida a estudar e trabalhar?! Coitados!"

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Romney and Obama Show



Há uns dias, os candidatos à presidência dos EUA fizeram um jantar de beneficência que, ao que parece, já é uma tradição nas eleições dos Estados Unidos há mais de 60 anos. Nesse jantar é também um clássico os dois candidatos fazerem uma disputa com anedotas.

Eu não tenho acompanhado todos os pormenores destas eleições até porque não é algo que me interesse assim tanto, no entanto vou estando relativamente ao corrente da situação com o que me salta à vista nos meios de comunicação.

Ao contrário do que acontece em Portugal, em que os políticos adotam todos uma postura muito formal e distanciada, sem grandes "fait divers", nos EUA os políticos recorrem ao show bizz para captar o maior número de eleitores.


 Há 4 anos, o Barack Obama estava a disputar o lugar que agora ocupa, contra o McCain. A campanha com o slogan "Yes, We Can" foi um êxito.

Lembro-me de chegar a ter no meu mp3 uma música cantada por vários famosos, cuja letra era somente o discurso do Barack Obama.

 Ei-la:


Comparar Portugal aos EUA no que diz respeito à política (e a muitas outras coisas) é muito difícil. Não são só as nomenclaturas que mudam, toda a organização é diferente! Mas o que chama mais atenção às pessoas que, como eu, não estão muito dentro dos assuntos políticos estrangeiros são as diferenças de postura e comportamento dos políticos.

Ao contrário do que acontece em Portugal, nos EUA existe um enorme patriotismo. Vêem-se bandeiras nacionais à porta das casas (cá em Portugal isso só aconteceu porque um brasileiro nos mandou), nota-se que têm orgulho no país e o respeito pelas figuras que o representam é bem mais visível.


Acontecerem cá em Portugal algumas situações que ocorrem com naturalidade nos EUA é algo inconcebível.

Toda a campanha de marketing associada aos candidatos americanos leva a que estes sejam encarados como mais umas "estrelas" e, como tal, são convidados a ir aos talk shows mais populares como o Late Night Show, Ellen DeGeneres, Oprah etc... e são entrevistados de um modo informal e descontraído.


Cá em Portugal, os nossos representantes apenas são entrevistados em canais de informação ou no telejornal dos canais generalistas. O tipo de entrevista é sempre do género "é? não é? explique-se." e quem as vê está sempre à espera do momento certo para gritar um "gatuno! devias era estar na prisão!


O paradigma português é muito diferente do norte-americano. Seria impensável o Boss Ac, por exemplo, produzir uma música durante o período eleitoral, apelando ao voto no nosso atual Primeiro-Ministro sem que esta fosse uma paródia musical.

Ao contrário da realidade dos Estados Unidos, em Portugal a classe política é só mais um motivo para fazer anedotas e o ódio pela mesma parece ser o único sentimento possível.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Dialetos de pouca ternura



Há uns dias estava no youtube a apreciar este vídeo...



... Quando ando com o cursor para baixo e vejo os seguintes comentários...

“Wow! Have you been discovered yet? This is so much better than any pop star today!”
“Tears of joy. That is all I can say. Stunning!”
“wow, just wow. Best music performance i've heard so far... singing is amazing, the video is hypnotizing, please, don't ever stop, you are amazing”
“you are such an inspiration to all people!! when can I purchase your record?!”
“good song”
“it is as if god saw all the pain humanity as endured these few years and granted us this angel to make love to our senses”
“I need I need I need I NEED you to post a video of just you singing. No background music, just you and your angel voice. I need that!”


Nem um único comentário destrutivo.

Hipótese A- caiu um meteoro de bondade em casa de todos os cibernautas
Hipótese B- estão a debochar com sarcasmo


Para quem escolheu a resposta B...

Parabéns! 5.000€ serão depositados na sua conta!



 O sarcasmo é algo interessante de ser analisado.

Há quem o considere um ato de arrogância, há quem ache que é um modo eficaz para insultar alguém com elegância... e há quem pense que é um bom método para fugir a questões que não se quer responder... “vais comprar isso?" "não, vou roubar".

Este tipo de humor crítico (não sei se se deva chamar assim) está tão presente que chega a ser mais frequente insultar alguém com um elogio do que com uma crítica.

Neste vídeo que comecei por mostrar no início do post, vemos uma rapariga com um péssimo vídeo a “cantar” uma “música”, na qual não acerta uma única nota. Esta é a opinião de 99% dos visualizadores deste vídeo (ter em conta que a família dela também viu), mas a má qualidade do vídeo chega a um nível tão elevado que escrever  “que má música! Cantas mal” chega a ser ridículo, porque se está a evidenciar o óbvio.

E é por isso que os haters criaram um novo dialeto que consiste em escrever o máximo de elogios, em antítese com tudo o que lhes vai na cabeça. No entanto, este tipo de "bot'abaixo" só pode ser usado nos vídeos em que a má qualidade é óbvia e "universal". Caso contrário, correrão o risco das suas palavras serem levadas à letra...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Surpresa Kinder

Estava a passear no supermercado quando esta imagem me invade a retina:



Um flagelo social.

Os chocolates Kinder estão associados à memória de muitos jovens. Quem nunca pediu um Kinder Bueno aos avós? Qual a criança que nunca foi mimada com um mini-ovo Kinder?...

E agora aparece isto…Um ultraje às memórias de todos os jovens!

A clássica embalagem com o rapaz dos olhos azuis era uma imagem que eu e, provavelmente, muitos de vocês, associávamos à nossa infância.


Alguém que queira voltar a sentir o sabor dos chocolates que, com tanto carinho, os seus avós lhe compravam, certamente que não conseguirá se tiver uma caixa daquelas à frente. Distabiliza qualquer um e impede a tão desejada viajem no tempo.

Depois de uma grande investigação (que consistiu em pôr "chocolate kinder" no google) cheguei à conclusão que esta revolução no mundo dos chocolates se deve a um concurso, no qual os pais enviam para o site da Kinder as fotografias dos seus filhos e as selecionadas têm este privilégio de aparecer nas embalagens. Portanto, se estas caixas vos aparecerem à frente pensem que, em princípio, é temporário e o rapazinho dos olhos azuis voltará em breve.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O amor e carinho entre o género masculino



Hoje assisti a um momento hilariante entre dois típicos ‘tugas’.

Um homem, dentro de uma carrinha, pára a sua viatura para se dirigir a um outro homem que estava a passar na estrada:
  

- Então meu filho da p*** como é que estás???


Ao que o outro, entusiasmadamente, responde:


- Olha-me este cab***! Tá tudo bem pá, e contigo?




 Depois de assistir a este diálogo, o pensamento que me surgiu foi: “tanto carinho que vai para aqui!” E não estou a escrever isto num modo sarcástico, notava-se, de facto, uma troca de afetos naquele pequeno diálogo.

Existem várias maneiras de dizer a alguém que gostamos delas. Uns demonstram-no fisicamente, com beijinhos e abraços, outros verbalizam-no, outros mostram-no através de atos que provocam bem-estar na pessoa que gostam…


E depois há este modo, usado, essencialmente, entre homens, que consiste em ver quem diz os piores insultos, muitas vezes com uns calduços à mistura.

Não é preciso ser um grande sociólogo para perceber porque é que os homens fazem isto. Enquanto que as mulheres podem dar beijinhos e dizer "gosto muito de ti" à vontade, os homens, se o fizerem, não estarão dentro dos padrões de normalidade da conduta masculina, estupidamente impostos.

Por isso, por mais que um rapaz goste de um amigo, nunca lhe vai dizer "olha, gosto muito de ti, sabias?"... E é por isso que, muitas vezes, surgem diálogos como aquele a que assisti hoje.

Mas, apesar da escolha das expressões usadas para se cumprimentarem, não tenho dúvidas que ambos os intervenientes, quando acabaram de se insultar mutuamente, pensaram: "pá, este gajo é mesmo porreiro!"...

domingo, 7 de outubro de 2012

“As leis são como as mulheres, servem para ser violadas”

«A frase foi dita durante uma conversa com outros conselheiros e as reacções não se fizeram esperar. José Manuel Castelao, presidente do organismo espanhol para os cidadãos no estrangeiro, disse que “as leis são como as mulheres, servem para ser violadas”. Pouco depois apresentou a demissão.» in Público


Ora bem... Por onde é que hei-de começar?...

Quando ouvi esta notícia, surgiu-me uma questão: não há nada na Constituição Portuguesa que puna uma citação que apele a crimes?


É um facto que este cidadão, aparentemente, não violou nenhuma mulher, não fugiu aos impostos, não ultrapassou a velocidade máxima na auto-estrada, nem violou outra lei qualquer...

Mas alguém que faça uma citação destas quase que está a dizer "violar mulheres é normal. Hoje ainda não violei nenhuma porque tive de ir ao cinema com uns amigos".

Isto não devia ser punido?

Mas, ao que parece, não houve nenhuma punição... Apenas uma demissão, a qual até o próprio afirma não ter tido a ver com a frase que disse.

"Antigo deputado do Partido Popular espanhol no Parlamento da Galiza entre 2005 e 2009, Castelao disse, citado pelo El País, que o pedido de demissão não está relacionado com a polémica frase. “Ninguém me pediu que renunciasse ao cargo. Tenho uma situação pessoal que me leva a não continuar no cargo. Não tem nada a ver com o que aconteceu, embora seja certo que as coisas estão a ser relacionadas”, disse ao El País."

sábado, 6 de outubro de 2012

República de pernas para o ar



«As cerimónias oficiais do 5 de Outubro em Lisboa já estavam envoltas em polémica, com a escolha do Pátio da Galé, um espaço fechado e com acesso restrito, para os tradicionais discursos dos presidentes da República e da Câmara de Lisboa, em vez dos Paços do Concelho. Mas ninguém estava à espera de que as celebrações da implantação da República ficassem marcadas por um incidente simbólico: Cavaco Silva e António Costa hastearam a bandeira nacional virada ao contrário.» in Correio da Manhã



É verdade. O último feriado 5 de outubro ficou marcado por este incidente.

 Eram 11h da manhã, resolvi ligar a televisão e do que é que se falava? Da bandeira hasteada ao contrário e da senhora a gritar durante o discurso do Presidente da República.


Bolas, é preciso ter azar.

Os ministros já não podem ir a lado nenhum porque são vaiados em tudo o que é sítio, por todos os motivos e mais alguns; o Primeiro-Ministro não pôde estar presente na cerimónia; e ainda tinham de levar com a porcaria da bandeira posta ao contrário?!


 O «Vai estudar Relvas» já passou de moda, a história do Borges e da TSU já estava a morrer... 

Por isso vamos aqui hastear a bandeira ao contrário para poderem atualizar as vossas redes sociais e gozar mais um bocadinho connosco...